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Room for two

Room for two? Yes, please!

Quando fiquei grávida da C., nunca tive grandes dúvidas acerca desta questão. Não foi um assunto muito debatido cá em casa. Vinha mais uma menina e, apesar de haver um quarto disponível, era certo que partilhariam o mesmo espaço.

Acredito que esta decisão tenha sido mais fácil de tomar, porque se tratava de mais uma menina e porque também eu, desde sempre e até à adolescência, partilhei o quarto com as minhas irmãs.

Então estava decidido. Não havia margem para dúvidas. Mas nem sempre foi assim. Houve alturas em que repensámos esta decisão. Ponderámos a mudança. Questionámos a nossa certeza.

A transição integral da C. para o quarto das girls foi aos 4 meses. Antes disso, as sestas já ia fazendo no seu quarto; à noite dormia no nosso. Tudo correu sem complicações. A questão mais aborrecida prendia-se com o facto de ter de me levantar de quando em quando para lhe por a chucha. Logo que aprendeu a colocá-la na boca sozinha, retirei-me desse papel.

Mas os bebés crescem. Começam a ter vontade própria. Começam a explorar e a ser mais ativos. E chega uma certa altura em que os hábitos mudam. E todos nós temos de nos reajustar. E as noites começam a ser mais difíceis. Porque eles acordam e choram. A seguir, gritam. E se não resultar, berram. E conseguem deitar a casa abaixo.

E foi nestes entretantos que ponderámos a mudança do quarto. Sentir que a F. poderia estar a ser prejudicada na sua noite de sono deixava-me preocupada. Por outro lado, sabia que era uma questão de tempo e de persistência parental até tudo voltar a normalizar. Então decidimos não mudar. Decidimos deixar o tempo passar.

Muitas madrugadas houve em que fiquei no quarto das girls, deitada na cama da F., para que a C. sentisse a minha presença e, sozinha, voltasse a adormecer.

A F. ia para a nossa cama, em braços e sem nunca se aperceber, porque tudo isto se passava pela noite dentro. Quando tudo acalmava, lá voltava a mais velha para a cama dela e a mãe para o seu poiso.

Depois chegou a altura de se tirar as grades da cama da C. E até entrar tudo nos eixos, muitas viagens foram feitas para a cama da mana pela noite dentro ou logo às 6h da madrugada. Mas não para se aninhar, mas para acordar a irmã, porque já eram horas de ir brincar. E soltavam-se os berros. O ‘deixa-me’ num tom pouco amigável. O choro de quem é recusado.

Mas hoje, hoje mais do que nunca, não me arrependo da decisão que tomei. Hoje, hoje sei que foi uma boa decisão. Porque à noite, quando as deito e fecho a porta, ouve-se pelo corredor o eco das suas conversas. Porque à noite, antes de me ir deitar e quando as vou espreitar, vejo-as deitadas na mesma cama, num abraço de irmãs. Num abraço de quem protegeu, num aconchego de quem se preocupou.

E vejo a cumplicidade a crescer. E vejo os laços a estreitarem-se. Porque tudo se cria. Tudo se promove. Tudo se estimula. Até o amor, que não evolui sem encontros e não cresce sem acasos.

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Nota: Imagem de destaque via Pinterest

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