A amiga e companheira chucha
- Irina Vaz Mestre

- 7 de ago. de 2016
- 3 min de leitura
Hoje falo-vos de chuchas. Por aqui, as duas usaram. A C. ainda usa, como se pode comprovar em algumas muitas fotografias que vou postando aqui e ali.
Sobre o uso das chuchas há muitas opiniões. Pessoalmente, nunca fiz força para não usarem. Sou daquelas mães que inclui a chucha na mala para a maternidade, e logo no hospital usaram. Lembro-me bem de um episódio que aconteceu, quando a F. nasceu, com um enfermeiro. Veio ao quarto ver como eu estava e fazer os tratamentos de rotina pós-parto. A F. dormia, e estava com chucha. O enfermeiro olhou para mim e descompôs-me, assertivamente, é certo, mas deu-me uma lição de moral sobre o uso da chucha.
Apesar de na altura ser mãe de primeira viagem, com todas as inseguranças que tal acarreta, neste assunto nunca fui muito insegura e recordo-me que lhe disse, com o ar mais simpático que se pode ter após algumas horas de se ter tido um filho: “Posso tirar-lhe agora a chucha, e fingir que vou fazer o que me diz, e depois, quando virar costas, voltar a dar-lhe. Entre isso e assumir a minha posição, prefiro a segunda opção. Que lhe parece?” Também ele sorriu e anuiu com a cabeça. Fez o que tinha a fazer e saiu.
A F. usou a chucha quase até aos 4 anos. Com restrições. Prolongou-se um pouco mais, e aí fui mais permissiva, porque no último ano (o da retirada) a mana nasceu e a coisa, em termos emocionais, complicou.
O uso da chucha, aqui em casa, vai sendo gradual. Vou diminuindo os tempos de uso, conforme vão crescendo. Chega a uma altura em que é só para dormir e acaba por ser só para adormecerem. No entanto, não sou muito rígida. Não faço disso um cavalo de batalha. Quando sinto que chegou a altura da retirada, faço-o sem incertezas e com determinação.
Estou agora determinada a tirar a chucha à Constança. Desde há uns tempos a esta parte tenho vindo a pensar que chegou a altura. Aproveitei agora que a chucha dela rompeu. Tem um buraquinho que se está a tornar maior e começa a ser desconfortável para ela. Veio pedir-me uma nova. Disse-lhe que esta seria a sua última chucha, que não lhe iria comprar mais nenhuma.
Tem chuchado nela. Pede-me uma nova e ofereço-lhe aquela. É a única que tenho para ti, filhota. Digo-lhe com ar meigo, mas determinado. Ontem já não quis mais aquela. Disse-me que lhe dava nojo. Atirou-a ao ar. Disse que não gostava já daquela chucha. Guardei-a e disse-lhe que a ia guardar, não fosse ela mudar de opinião. Acabou por adormecer. Não correu muito mal. A primeira coisa que fez pela manhã foi pedir-me a chucha. Dei-lha. Ficou desiludida, porque era a velha. Chorou um bocado. Calou-se.
E estamos nisto. E vai ser assim durante uns tempos, não sei se dias ou semanas. Vou oferecer-lhe sempre aquela. Vou dizer-lhe que pode ficar com ela, nem que seja na sua mão, para lhe fazer companhia à noite. Mas não vou voltar atrás, porque uma vez decidido, está decidido.
Faço agora um à parte e deixo-vos aqui uma dica que é crucial para quando decidirem mudar alguma coisa nas rotinas da vossa casa. Digo-vos o que digo a tantos pais que procuram a minha ajuda para alterar comportamentos dos filhos – seja dormir à noite, retirar chuchas, modificar maus comportamentos. Não há estratégia que resulte se os pais não se sentirem verdadeiramente determinados a mudar. Enquanto houver incertezas dentro do coração de cada um dos pais, as mil e uma estratégias que um técnico vos pode dar, vão cair em saco roto. Porque os primeiros a ter de mudar somos nós.
Quando, verdadeiramente, sentimos que aquilo é um problema e precisa de uma solução, sentimo-nos impelidos a procurar a solução e a pô-la em prática. E não há dúvidas e incertezas que nos assolem, porque nós temos a certeza do nosso coração, que é a mais forte e poderosa, e move montanhas.
E assim, com a certeza do meu coração, depois de 3 anos a usar chucha, a minha Constancinha vai agora despedir-se desta chucha, que foi para ela a sua grande companheira e amiga e que a ajudou nos mais variados momentos de angústia emocional. Obrigada chucha, reduziste em alguns minutos as longas birras da minha filhota! Agora resta-nos o ‘Pintas’ para ajudar nesse consolo.
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