Antes de o ser, já o era!
- Irina Vaz Mestre

- 26 de jun. de 2016
- 3 min de leitura
Quando olho para mim, para a minha vida, como se para um espelho olhasse ou se através de uma lente visse, o que mais vejo é o facto de ser mãe.
Na verdade, ser mãe ocupa todos os meus dias, as minhas noites, os meus fins-de-semana, os meus pensamentos, os meus afazeres. Pode não ocupar efetivamente, no verdadeiro sentido da palavra, todos os meus dias e as minhas noites, porque durante o dia estão nas escolas e durante a noite dormem bem, a noite toda; mas ocupam na medida em que todos os meus sentidos estão com elas, na medida em que estou sempre alerta, ainda que inconscientemente.
E é assim desde há 7 anos a esta parte. É literalmente assim. Estão ao meu cuidado. Tenho responsabilidade total sobre elas. E não deve ser de outra forma. Não quero que seja de outra forma. Adoro que seja desta forma.



Mas, e porque existe sempre um mas, na minha vida tenho outros papéis a desempenhar. Outros papéis que também gosto de desempenhar e que também me preenchem, me completam, me fazem sentir útil, me fazem sentir mais eu.
E porque antes de ser mãe, já era um indivíduo, hoje venho falar-vos da importância que a frase “antes de o ser, já o era” pode ter na nossa vida de mães e na vida dos nossos filhos.
Digo muitas vezes às minhas filhas, em jeito de brincadeira mas com um laivo de seriedade, que antes de elas nascerem eu já cá andava. Isto para lhes explicar que não gira tudo à volta delas. Que cada um de nós deve ter o seu espaço, o seu tempo, o seu momento. Que cada um de nós merece esse espaço, esse tempo, esse momento, e que não somos egoístas por isso e por gostarmos disso. E agora a culpa começa a espreitar. E é agora que a devemos despedir por justa causa (uma vez mais, como em tantas situações no mundo de sermos mães e pais).
Ser mãe não significa deixar de poder tomar banho sem que estejam sempre a entrar na casa de banho. Ser mãe não significa deixar de poder ver um canal ou um programa que nos interessa. Ser mãe não significa deixar de poder ir jantar fora, com amigos ou amigas. Ser mãe não significa deixar de poder ir passar um fim-de-semana com o nosso marido, companheiro, namorado. Ser mãe não significa deixar de poder fazer ginástica, ir ao cabeleireiro ou arranjar as unhas.
Ser mãe significa fazer tudo isso menos vezes, é bem verdade, mas não significa deixar de o fazer, de todo.
E quando fazemos algumas destas coisas, de vez em quando, estamos a dizer aos nossos filhos que todos nós somos seres únicos e individuais que merecem ser respeitados e valorizados. Que todos nós temos o direito ao nosso tempo. Que cada um de nós tem o direito de gostar de si, de tratar de si, de cuidar de si.
E quando ensinamos isso aos nossos filhos, através do que nós próprios fazemos, estamos a ensinar-lhes desde cedo que podemos gostar de nós sem culpa e que isso em nada se assemelha a egoísmo. Apenas significa sermos fiéis a nós próprios. Sem culpas.
Este fim-de-semana foi nosso. Meu e do meu marido. E a todos os minutos me senti agradecida por não me sentir culpada por estar a desempenhar outro papel que não o de mãe. Ainda que seja sempre mãe. E serei sempre mãe, com tudo o que ser mãe significa!

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