Atrasos da Fada dos Dentes
- Irina Vaz Mestre

- 21 de jul. de 2016
- 2 min de leitura
A noite passada a fada dos dentes adormeceu. Adormeceu e não apareceu. A excitação, ao deitar, era muita e a desilusão, ao acordar, foi ainda mais.
A mãe pensou: “Bolas, adormeci!”, mas depressa deu um beijo à filha, em jeito de consolo, e deu a desculpa mais dada à face da terra “Sabes, há muitos meninos, ela às vezes não vem logo na primeira noite, mas vem, descansa!”
Chegou o final do dia. Toca a pôr sinaléticas pelo corpo todo para não me esquecer outra vez. Mas de repente, e não fosse esta mãe psicóloga e não tivesse esta mãe a mania de muito pensar, pôs a hipótese de deixar passar mais uma ou outra noite.
É porque esta é a geração da impaciência, da rapidez, do fast-food, do imediato. Nesta geração não se aprendeu a esperar, a aguardar por algo. Esta é a geração do aqui e do agora, com todas as implicações negativas que isso tem.
A minha geração esperava, pacientemente, que um jogo de computador entrasse e havia ainda a grande probabilidade de ele ir abaixo, quase no fim da cassete e depois de fazer um barulho ensurdecedor.
A minha geração esperava pelo sábado de manhã para ver desenhos animados e ficávamos uma manhã inteira, deslumbrados a ver todos os episódios.
A minha geração esperava numa fila para telefonar a um amigo ou amiga especial, numa cabine telefónica, quando íamos de férias com os pais.
Sabíamos esperar, e não morremos por isso.
Então pensei: “Tenho de ser eu a proporcionar situações para ensinar as minhas filhas a esperar”. E então pensei que a fada podia atrasar-se mais um ou dois dias.
Mas depois não tive coragem.
Mas ficou a vontade de lhes ensinar a esperar. E fica a promessa de que o vou fazer, e vou lutar contra a minha vontade quando me sentir tentada a dizer-lhes logo que sim!

Feliz com o seu novo sorriso!

Contente porque a fada dos dentes apareceu!
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