Baby 3 is coming
- Irina Vaz Mestre

- 10 de dez. de 2016
- 3 min de leitura
Às 18 semanas de gravidez venho falar-vos deste bebé, o nosso terceiro bebé, e de tudo aquilo que este bebé já nos trouxe, seja no que diz respeito a sentimentos, sensações puramente físicas ou pensamentos.
Se há algo que aprendi é que o início da Parentalidade Consciente surge muito antes do bebé nascer, e quanto mais cedo nos consciencializarmos disso, mais precocemente os benefícios surgirão.
Este bebé começou a ser pensado muito antes de ser concebido. Foi pensado, imaginado e idealizado, com tudo o que de bom e menos bom isso pode trazer.
Como era o nosso terceiro, e já tínhamos duas meninas, pensámos que queríamos um menino. Idealizámos o menino. E ouvimos truques e dicas para conceber um menino (há sempre truques e dicas a que nos queremos agarrar).
Pensámos igualmente na melhor altura para o ter, tendo em conta as necessidades da nossa família e a vontade que ambos tínhamos para receber mais um bebé na nossa família.
Soube que estava grávida e a notícia veio com a maior serenidade que até ao momento já senti. Julgo que este sentimento estava de acordo com o processo de crescimento e desenvolvimento pessoal a que me tenho sujeitado.
Depois começaram as sensações físicas. Em primeiro lugar, a má disposição que fui sentindo, e que ao longo dos dias e semanas ia crescendo, e não diminuindo. Nunca me havia sentido assim em gravidezes anteriores, e confesso que não soube conscientemente lidar com tanto mau estar físico. Não estava disponível para nada nem para ninguém, e fui-me sentindo culpada por isso.
Na verdade, não me conseguia sentir feliz por estar grávida, e só desejava ficar no meu canto, no meu processo. Descontrolei a minha alimentação, e com isso nasceu mais uma sensação com a qual não soube lidar: o aumento de peso. Comia qualquer coisa, na esperança de que este mal estar fosse dissipado com a comida.
A par de tudo isto, a nossa vida pessoal também deu uma volta. Com este acontecimento, apercebi-me que qualquer plano que possamos fazer não passa disso mesmo, de um plano, e que a qualquer momento temos mesmo de mudar de planos, porque a vida a isso nos obriga.
No meio de tanta má disposição, física e psicológica, aceitei a nova fase e os novos desafios que ela nos trouxe. E pensei: aquilo a que resistes, persiste. E resolvi não resistir.
Os enjoos foram melhorando, já para lá dos três meses, e as rotinas foram voltando ao normal. Com muito mindfulness fui-me adaptando à nossa nova vida. Decidi fazer a amniocentese. Fiz. Repousei. Descobri que o bebé idealizado era uma menina. Não um menino. Fiquei a saber que estava tudo bem com o nosso bebé. Grata por isso.
E tudo isto se passou volvidas apenas 18 semanas de gravidez.
E de repente, na certificação que fiz para me tornar Facilitadora de Parentalidade Consciente, no meio de muitos módulos e diversas temáticas, falou-se sobre O início da Parentalidade Consciente. Ou seja, falou-se sobre tudo aquilo que acontece ainda antes dos bebés serem concebidos, tudo aquilo que acontece quando os bebés estão na barriga e tudo aquilo que acontece nos primeiros momentos da vida do bebé e dos seus pais.
E aprendi algo que vale ouro. Aprendi que basta sermos conscientes no que estamos a sentir e transmitir essa consciência ao nosso bebé. Aprendi que podemos falar com o nosso bebé e dizer-lhe que nada do que sentimos é dele, mas nosso. Aprendi que podemos, apenas com palavras e intenções, filtrar tudo aquilo que sentimos e continuarmos assim a proteger o nosso bebé.
E por tudo isto te digo, minha bebé querida, tão desejada e já amada, nada do que possas ter sentido através de mim é teu. Não carregues desde já o fardo dos meus pensamentos, sentimentos e palavras. Porque estes são os meus pensamentos, sentimentos e palavras. Porque, ainda que estejas dentro de mim, ligada a mim, a precisar de mim, TU já estás a construir a tua individualidade, e eu também sou já um outro ser.
Protejo-te sempre, e desde já, e proteger-te significa deixar-te ser, apesar do meu ser. Nada disto é teu, bebé. Estamos felizes por estares no nosso reino. Escolhemos-te, tal como nos escolheste a nós.
Sê bem-vinda! Só espero estar, conscientemente, ao alcance do Ser maravilhoso que já és!






For love, with love.
IVM
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