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Companheirismo procura-se

Na minha casa, entre estas quatro paredes, no seio da minha família, companheirismo procura-se!

Não corre tudo às mil maravilhas, não é um conto de fadas, não há sempre a palavra certa nem a atitude mais ponderada. Há sim, quatro pessoas, com personalidades distintas e papéis diferentes a desempenhar. Há um entrosar de formas de ser e formas de amar. Mas há uma forma de amar, entre nós, que eu não estou a conseguir gostar, que me está a fazer desamar e que, acima de tudo, me está a desafiar.

Hoje falo-vos da relação entre irmãos. E falo-vos da relação entre estas irmãs, que são minhas filhas, que serão a próxima geração, que um dia também serão mães e terão filhos [aqui entra a magia dos contos da Disney em que elas são princesas e casam com um príncipe maravilhoso, têm filhos e vivem felizes para sempre], que por sua vez serão os meus netos, que darão continuidade ao que é nosso, ao que é delas, ao que é deles, ao que é de todos.

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E esta relação não tem sido fácil. Não tem sido fácil de gerir, não tem sido fácil de pôr a funcionar, não tem sido fácil de construir. E eu apercebi-me do desafio que seria orientar esta relação logo no segundo dia em que a C. veio para casa, ou seja, no seu quinto dia de vida.

Com a Constancinha a dormir no quarto, aproveitei para estar com a Frederica. O pai tinha saído. Comprar todas aquelas coisas que nos fazem falta e que, na azáfama de um segundo filho, deixamos para trás. Fomos fazer um puzzle. Desde pequena que adora fazer puzzles. Estava a aproveitar aquela filha, porque também o meu coração abalou com a vinda de outra filha para a nossa família. Não estávamos a dizer nada uma à outra. O silêncio reinava e estávamos somente a tentar descobrir os sítios certos das peças. A C. chora. Eu não me levanto logo. A F. pergunta se vou buscá-la. Respondo que sim com o ar mais natural do mundo. Ela diz-me que está bem, que posso ir. Faz uma pausa. E depois, também ela com o ar mais natural do mundo, remata com: “E quando a trouxeres, podes pô-la no lixo?”

Era oficial. A F., a menos de 1 mês de fazer 4 anos, estava a dizer-me com todas as letras que gostava da vida que tinha, de quando éramos só três. E nesse momento eu soube que não era uma fase, que não era um sintoma, mas sim, que seria um desafio, para ela e para mim. E assim tem sido. E assim continua a ser, volvidos três anos!

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Nessa noite conversámos os três, sem tabus, sem reservas. Chorámos, desabafámos, negociámos, fizémos contratos que até assinámos. Prometi e cumpri. Passeámos as duas nos intervalos das mamadas, falámos e voltámos a falar. Não fingi que não vi, da mesma forma que hoje também não escondo a cabeça na areia. Aceito que é assim. Aceito. Pronto.

Digo à F., com todas as letras, o que observo, o que vejo, o que tenho vindo a analisar. Mas hoje, passados três anos, e uma vez mais a menos de um mês de ela fazer 7 anos, já não condescendo como outrora fazia. E não desisto dos meus valores, que são os pilares da minha família. Ela está a crescer, e é nestes valores que quero que cresça. Porque a mãe sou eu, e decidi assim. Porquê? Porque sim, e porque há certas coisas que não temos de explicar aos nossos filhos, e por isso esta é a resposta que dou. Porque sim…

Olho para trás e vejo que fiz tudo aquilo que poderia fazer; enquanto estive grávida, depois do bebé nascer, durante a fase em que deixou de ser bebé e passou a ser criança. Poderia ter feito outras coisas, de outras maneiras? Claro que sim, mas neste caso, fiz como sabia, com o máximo de amor que tinha e isso, para mim, é o que conta!

Saibam que há processos que são deles; que há formas que são deles; que há formas de pensar e agir que a eles pertencem. Mas saibam também que há processos que são nossos, e são nosso dever, e que podem decidir de que forma termina o processo deles. Ser pai e mãe é aceitar que esse é o caminho que eles precisam seguir; mas ser pai e ser mãe também é decidir por que atalho eles podem entrar!

Aceito que a relação delas está a precisar de uma dose de companheirismo. Aceito que é assim. Sem culpas. Sem “ses” nem “mas”. Mas não aceito desistir. Porque ainda acredito no…

…E Viveram Felizes para Sempre!

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