(Des)mascarar #parte2
- Irina Vaz Mestre

- 2 de mar. de 2017
- 2 min de leitura
O que escrevo agora é inteiramente dedicado a ti, minha super-heroína com o poder da água. E é o resultado de uma profunda introspeção que tenho vindo a fazer ao longo dos últimos tempos.
Escolheste o poder da água para te definir. E quando comecei a pensar nisso, percebi que nada te podia definir melhor do que esse elemento da Natureza – a água.
Transpiras, num primeiro momento, serenidade e segurança. O teu olhar reflete o mais límpido dos azuis. Assemelhas-te a um rio que segue o seu curso sem que, aparentemente, nada o atrapalhe. Alberga peixes, acolhe pedras, até algas ou terrenos enlameados, mas continua, decidido.
Assim és tu. Mas essa é a perspectiva de quem está, de fora, a contemplar o rio. É relaxante ouvir o seu som. É reconfortante sentir a frescura das suas águas nas pontas dos dedos.
E depois decidimos mergulhar nesse rio. E quando nos banhamos nele, apercebemo-nos que debaixo do seu leito existem contrariedades que alteram o seu rumo e que não nos permitem flutuar sem preocupações.
As águas já não são tão fluidas. O fluxo já não é tão tranquilo. Existem remoinhos. Cascatas até, que descem a uma velocidade que não conseguimos controlar ou até acompanhar.
Existe insegurança. Receio. Medo. Mascarado pelo som tranquilizante da água fresca a passar pelas pedras roliças.
E é aí, neste agitar de marés, que nos apercebemos que temos de nadar e tomar decisões conscientes, para conseguirmos usufruir desta viagem e, mais tarde, vir à tona e voltarmos à margem do rio.
Se nos aventurarmos, vamos conseguir ver, debaixo dessa água límpida, coisas surpreendentes que só o fundo do mar nos mostra.
E é assim que tu és, quando nos dispomos a mergulhar nessas águas que, à primeira vista, são serenas e relaxantes. E foi a partir do momento em que comecei a querer saber mais e deixei de olhar só do lado de fora da margem que entendi o quão necessitas de um nadar lado a lado; o quão necessitas de uma boia à qual te possas agarrar quando precisas de respirar.
E é por isso que és a minha super-heroína com o poder da água. Porque me levaste contigo no fluxo do teu rio, quando me desafiavas com a tua agitação que em nada se enquadrava com a aparente serenidade das tuas águas.
E eu cresci extraordinariamente quando me empenhei em olhar para além da tranquilidade do teu ser. Quando, sem julgamentos, medos ou receios, decidi que te ía acompanhar em todos os teus mergulhos.
E por aí? Já mergulharam na verdadeira essência dos vossos filhos?



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