(Des)mascarar #parte3
- Irina Vaz Mestre

- 9 de mar. de 2017
- 3 min de leitura
E depois de Vos falar da minha super-heroína com o poder da água, termino esta temática a refletir sobre a minha super-heroína com o poder do fogo. Talvez nem me fique por aqui, porque vem a caminho outra super-heroína que já estou ansiosa por descobrir com que poder virá…mas mesmo se for assim, ficará para bem mais tarde, e nunca para os próximos tempos, que serão para nos descobrirmos uma à outra. Tão bom!
Foste a minha segunda filha. Também planeada. Sempre desejada. Tínhamos expectativas sobre ti. Como acho que todos os Pais têm sobre os filhos que nascem. O que acontece neste caso é que as expectativas estavam muito ligadas à experiência anterior que tínhamos tido com a nossa super-heroína com o poder da água.
Um fluxo calmo, luminoso, cujo correr das águas fazia relaxar e transpirava tranquilidade. E era assim que te pensávamos. E era assim que te imaginávamos. E era assim que idealizávamos.
E chegaste. E nasceste. E o teu parto foi lindo. E mal saíste de dentro de mim abriste os olhos na direção dos meus e viraste a cabeça na direção do som da voz do teu pai. E logo aí marcaste a tua posição. Tão temida. Tão receosa. Apenas porque também não saberíamos se haveria lugar para ti no nosso coração.
E os dias foram passando. E o teu lugar, a tua presença era cada vez mais marcante. Mas não porque transpiravas tranquilidade. Porque exigias o teu tempo. O teu lugar. A minha constante presença. O meu constante fôlego.
E não me demorei muito tempo a perceber que o teu poder era o do fogo. Porque queimavas. E deixavas rasto. E as sirenes eram acionadas. E algum bombeiro tinha de vir, com o seu extintor, para apagar esse fogo.
E foi assim durante muito, muito tempo. Ainda hoje é assim, mas de uma forma diferente. E sei porquê. Já explico porquê.
Durante muito tempo usei de forma errada o extintor. A forma como tentava apagar o fogo fazia com que ele reacendesse. As labaredas desapareciam, mas a brasa permanecia. E quando algum vento soprava com mais força, as chamas voltavam a fazer ressoar o alarme.
Até que chegou o momento em que repensei tudo. Repensei estratégias. Repensei formas de estar. Repensei a minha essência. Que mãe queria ser. Que mãe estava a ser. E que consequências tudo isso estava a trazer.
E cheguei à Parentalidade Consciente. E percebi que quando apagava o fogo com o extintor, só estava a apagar as chamas e não estava a olhar para o foco do incêndio. Estava apenas só focada no que eu queria, e não nas necessidades da minha super-heroína com o poder do fogo. E era tão somente por isso que o fogo reacendia.
Hoje ainda temos alguns incêndios. Aqui e acolá. Às vezes ainda não me oriento com o extintor. E está tudo bem. Porque sei, acima de tudo, que foi esse teu poder, que queimava tanto, que me obrigou a ser e a estar de outra maneira.
E foram as queimaduras que ficaram no meu corpo que me permitiram olhar verdadeiramente para dentro de mim, para dentro da minha super-heroína com o poder da água e para a minha super-heroína com o poder do fogo.
Serão essas queimaduras que farão com que esteja tão atenta a tudo o que se vier a passar com esta bebé. Também planeada. Sempre desejada. E serão sempre estes teus reacendimentos, minha super-heroína, que me farão acionar o meu alarme interior e não me desviar do meu caminho, do caminho que quero seguir, das minhas intenções enquanto mãe e Ser Humano.
Hoje, aceito-te com o teu poder. Aceito a tua irmã com o seu poder. Não quero mudar o vosso poder. Quero saber lidar com ele. E depois de tudo isto acho que o meu poder é o poder da Terra, porque quero ter o poder de acolher, de estar presente, de fazer nascer e de fazer crescer.
A Vossa mãe.



For Love, With Love.
IVM
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