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Desabafos de Mãe

Há dias que sinto que tudo me escapa pelos dedos das mãos. Hoje é um desses dias. Fecho a porta de casa, logo pela manhã, a fingir que não vejo o que está para lá da porta. Sapatos que já não servem espalhados pelo chão. Pijamas onde não devem estar. Restos de pasta de dentes no lavatório da casa-de-banho, porque não houve tempo para ser chata e pedir para limpar. Loiça suja dos pequenos-almoços espalhada. Camas por fazer. Brinquedos por arrumar.

No meio de tudo isto, arranjei-me para ir trabalhar, nem sei bem como. Antes de fechar a porta, olho-me ao espelho. Podia estar pior. Não estou no  meu melhor. Falta o urso. Volto a casa. Volto a ver tudo outra vez. Volto a fingir que não vejo. Volto a fechar a porta.

Faço planos. Organizar tudo melhor da próxima vez. As miúdas precisam de roupa. Principalmente sapatos. Tudo deixou de servir. O que comprámos precisa de ser trocado. Afinal não serve. Os pés crescem como tudo. Faço contas ao que ainda preciso gastar. Preocupo-me por segundos. Respiro fundo e confio que tudo se arranja. Desejo congelar o tempo. Só para arrumar armários. Ficar de pijama a organizar a nossa vida. A pôr tudo no lugar.

Não será assim. Não posso fazer assim. Então, entre final do dia, banhos, jantar, trabalhos de casa e deitar a criançada, vou ter de conseguir colocar alguma ordem no caos que, por vezes, sinto que é a minha vida.

Este foi o meu primeiro desabafo de mãe. Acredito que o primeiro de muitos. Será, com certeza, o primeiro de muitos.

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Saudades do Verão e dos dias maiores, a deixar a sensação de que há mais tempo para tudo!


For love, with love.

IVM

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