Mãe pela terceira vez
- Irina Vaz Mestre

- 6 de jun. de 2017
- 2 min de leitura
Hoje venho falar-vos sobre o que tem sido, para mim, ser mãe pela terceira vez.
E as minhas reflexões terão, inevitavelmente, a metáfora da comparação bem entranhada.
Vou começar então por comparar o que senti quando fui mãe pela segunda vez. E para esta comparação vou usar uma recordação muito específica.
Recordo-me especificamente do dia em que a minha filha mais velha nos foi visitar (a mim e à mana bebé Constança), pela primeira vez, à maternidade. Recordo-me do medo enorme, quase avassalador, que me percorria o corpo todo e se alojava no meu coração.
Um medo de não conseguir amar mais ninguém como a amava a ela. Foi a minha primeira filha, o meu primeiro amor, o meu primeiro bebé. Foi com ela que vivi tudo pela primeira vez. Foi a ela que me dediquei de corpo e alma e foi com ela que fui mãe. Foi a minha filha mais velha, de seu nome Maria Frederica, que me deu o título de Ser Mãe.
Nesse dia, quando ela entrou no quarto, senti literalmente que traí o nosso amor, a nossa comunhão, o nosso vínculo. Ali estava ela, tão pequenina, quase a fazer quatro anos e eu, com outro bebé nos meus braços.
Éramos três e já estávamos habituados a que assim fosse. Estávamos rotinados, conhecíamo-nos bem, líamos o que estava nas entrelinhas sem precisar falar. Um segundo bebé veio mesmo abalar este sentimento que, hoje em dia, entendo que era um sentimento de segurança, daqueles que não nos faz arriscar nem sair da norma.
E nesse dia toda eu tremi. E interroguei-me se seria capaz. Como nunca me havia interrogado. Nem sequer quando fui mãe pela primeira vez.
Chorei à noite. E chorei quando regressei a casa. Tudo me parecia estranho. Senti tudo fora do lugar. Os meus pensamentos estavam fora do lugar. Os meus sentimentos não pertenciam a este coração que sempre se conheceu seguro de si mesmo.
Tudo era diferente. Tudo estava diferente. E eu queria que tudo voltasse ao normal. Que tudo fosse normal. Que tudo fosse o que era.
E isto durou uns tempos. Uns largos tempos. Um bom tempo.
E quando esses tempos passaram, o meu coração voltou a sentir-se seguro, unido e reconstruído. Maior até. Maior, claro que sim. Enorme, diria!
Ser mãe pela terceira vez encantou-me e segura-me neste encantamento.
Ser mãe pela terceira vez libertou-me e liberta-me destes receios.
Ser mãe pela terceira vez engrandeceu-me e mantém-me enorme enquanto Ser.
Ser mãe pela terceira vez mostrou-me que tudo o que possamos sentir, para trás e daqui para a frente, faz parte do que somos mas que não define o que somos.
Ser mãe pela terceira vez fez-me querer ser mãe outra, e outra, e outra vez, simplesmente porque ser mãe pela terceira vez me mostrou que ser mãe é sempre diferente e que é nessa diferença que nós nos construímos.
Ser mãe pela terceira vez tornou-me em alguém melhor, tal como aconteceu quando fui mãe pela primeira vez. Tal como aconteceu quando fui mãe pela segunda vez. Tal como iria acontecer se fosse mãe pela quarta, quinta ou sexta vez.
Ser mãe pela terceira vez é igual a ser mãe pela primeira vez ou pela segunda vez.
Porquê? Porque ser Mãe é igual a Amar.
For Love, With Love ❤️️





IrinaVazMestre |Psicóloga & Facilitadora de Parentalidade Consciente
Juntem-se a nós
Instagram @irinavazmestre |Facebook Blog Voltar à Estaca Zero
Para contactos: irina.vaz.mestre@gmail.com



Comentários