Nostalgia
- Irina Vaz Mestre

- 28 de abr. de 2017
- 2 min de leitura
6h36 da madrugada manhã. Estou acordada desde as 5h18. Ultimamente tem sido assim. Mais vezes do que desejaria. Mas tem sido assim.
As semanas têm passado. A correr, acho. E eu estou no fim da minha terceira gravidez. A sensivelmente duas semanas do fim.
E começo, a cada dia que desconta nas duas semanas que faltam, a sentir-me cada vez mais nostálgica. E bolas, a nostalgia começa logo de madrugada.
Estou a despedir-me desta barriga. E estou a ouvir e a tentar coordenar pensamentos contraditórios e que me deixam baralhada.
A vontade e o desejo de que esta não seja a minha última gravidez é do tempo da pedra. Desde que me conheço que me lembro de saber que ia ter quatro ou cinco filhos.
E depois cresço. E o tempo da pedra fica para trás. E os sonhos de adolescente cristalizam e ficam impregnados de realidades da adultez.
E eu fico irritada, profundamente irritada, porque não fui capaz, não sou capaz de filtrar estes medos.
E vejo um filme fantástico, de seu nome, nem de propósito, “Capitão Fantástico”. E choro. As lágrimas correm-me pela cara. Fico a pensar em tudo o que vi. Em tudo o que experienciei com este filme, esta família e este modo de viver e sentir.
E serei eu capaz de me desapegar daquilo que nos faz ficar presos a decisões iguais às de todos os outros?
Por agora fico-me por esta pergunta. E resolvo agarrar o pensamento que é meu companheiro de viagem e que me serena sempre que estou inquieta.
“Deixa andar. Não faças planos. Não feches portas. Abre-as quando, e se, as tiveres de abrir. Confia. Segue em frente. E cuida deste bebé, que é agora, o teu bebé. Não decidas o que vem para a frente. E não te apresses a dizer que não ou que sim. Vai tomar uma chávena de café. E deita-te outra vez. Precisas de descansar!”
E é o que farei.
For Love, With Love ❤️
IVM



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