O Dia da Criança
- Irina Vaz Mestre

- 3 de jun. de 2016
- 2 min de leitura
O dia da criança para mim é especial. Tal como considero muito especial o dia do aniversário das minhas filhas. Gosto particularmente de as surpreender. Deliro com o brilho nos olhos e os sorrisos genuínos que esboçam, quando olham para tudo o que lhes preparo. Sinto-me muito preenchida, e constato que são estes momentos que vão recordar e que vão ficar nas suas memórias, um dia quando forem mais velhas! Trabalho para isso. Diariamente. Dia após dia. Importo-me com isso. Valorizo isso. E por isso, mesmo quando estou mais cansada, esforço-me para isso.

Tentamos fazer sempre alguma coisa que implique momentos passados em família, e que sejam originais e marcantes…não são necessariamente os mais caros; às vezes os mais simples, aqueles que foram sendo esquecidos com tudo o que nos rodeia e que a sociedade exige. E este é um dos pontos em que mais se aplica o que para nós significa ‘voltar à estaca zero’…procurar o mais simples e às vezes o mais óbvio, mas que de tão óbvio se torna tão pouco provável!
Este ano acampámos na sala. Mesmo a meio da semana. Mesmo que no dia a seguir todos tivéssemos que acordar cedo e uns tivessem uma viagem para o Porto para fazer e outros fichas de avaliação para realizar. Mesmo que só houvesse tempo para levantar o acampamento na noite a seguir. Mesmo que a casa ficasse um caos.




Ficaram os sorrisos nos lábios para recordar, e o brilho nos olhos delas que os meus fizeram brilhar também. E ficou também a certeza daquilo que hoje me trouxe aqui e que, na verdade, me levou a escrever o que escrevo, aqui e agora. É que estes momentos só são sentidos e verdadeiramente valorizados quando nós, pais, pomos na balança um não e um sim. Quando lhes permitimos, dentro das nossas quatro paredes, no conforto dos nossos braços e segurança do nosso amor, sentir alguma frustração. Porque às vezes, algumas vezes, muitas vezes, nem sempre pode ser como querem as crianças…e tem que ser como querem os pais; como acham os pais que deve ser, mesmo que isso lhes traga uma lágrima nos olhos e a nós uma angústia no coração!
Saibam dizer que não, para depois poderem dizer que sim…quando for tempo de dizer que sim!




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