O nosso Pai
- Irina Vaz Mestre

- 13 de ago. de 2017
- 3 min de leitura
No dia em que o Pai cá de casa faz anos, lembrei-me de escrever sobre o que é isto de ser pai.
Na verdade, não vou escrever sobre o que é ser pai. Simplesmente porque não sei. Sou mãe. Sobre isso saberia escrever.
Mas quero muito escrever para todos os pais que me queiram ler. Quero muito escrever sobre o que consigo perceber nos olhos das minhas filhas quando as vejo com o pai. Quando as vejo a abraçar o pai. Quando as vejo a sorrir para o pai. Quando as vejo a correr para o pai quando ele chega a casa. Quando as vejo sentadas à porta da casa-de-banho à espera que o pai se despache. Quando as vejo a chorar quando o pai se zanga com elas. Quando as vejo às cavalitas do pai. Quando as vejo no colo do pai. Quando as vejo a serem penteadas pelo pai. Quando as vejo a serem vestidas pelo pai. Quando as vejo a sentirem o cheiro do pai. Quando as vejo a aprenderem com o pai. Quando as vejo a verem filmes com o pai. Quando as vejo a irem para a escola com o pai. Quando as vejo a adormecerem com o pai. Quando as vejo a serem alimentadas pelo pai. Quando as vejo a serem repreendidas pelo pai. Quando as vejo envergonhadas porque o pai dá beijinhos à mãe. Quando as vejo felizes porque o pai dá prendas à mãe. Quando as vejo ciumentas porque o pai dá abraços à mãe.
E quando vejo tudo isto, o meu coração explode de alegria. O meu coração rebenta de gratidão. Porque com este pai sei que, quando for a altura de elas escolherem o pai dos filhos delas e o companheiro das suas vidas, essa escolha vai ser tão natural como o simples facto de elas escolherem alguém que as valorize. Porque com este pai, não há buracos emocionais para preencher. Não há inseguranças. Não há incertezas. Há meninas que se tornam adolescentes e depois mulheres. Mulheres que se sentem valorizadas. Mulheres que se respeitam. Mulheres com a certeza de que um homem valoriza, respeita, apoia, acompanha, abraça e ama incondicionalmente. Mulheres com a certeza de que, se assim não for, então não vale a pena. E que quando não vale a pena, então podem deixar ir. Porque elas assim querem. Porque elas assim decidem.
E sorrio. E volto a sorrir. E ontem, quando as minhas filhas quiseram ficar acordadas até à meia noite para dar os parabéns ao pai, quando as vi a abraçar o pai, quando as vi a darem as prendas que elas próprias fizeram, quando até, surpreendentemente, a baby Cocas também resolveu acordar, quando passámos a meia-noite juntos, confirmei as certezas que já tinha de que um pai tem de estar na vida de um filho. Tem mesmo. Em consciência. Com consciência. E com vontade de amar. Porque um filho faz-se através dos olhos de um pai. De uma mãe.
E a este pai, que é o nosso pai, quero agradecer tão profundamente a marca inigualável que ele está a deixar na pele das minhas meninas, que um dia se vão tornar Mulheres.
A todos os pais que me estão a ler digo: sejam pais. Encontrem o vosso equilíbrio. Encontrem a vossa forma de serem pais. Mas sejam. Preencham emoções. Porque mais tarde, as emoções que hoje não foram preenchidas, amanhã serão procuradas. Mas serão procuradas sem a certeza de que existem. E quando assim é, corre-se o risco de se aceitar logo o que se encontra à primeira, mesmo que isso não dignifique o Ser tão especial que é a Vossa filha. Mesmo que isso não dignifique o Ser tão especial que é o Vosso filho.
For love, With Love ❤️
IrinaVazMestre
|Psicóloga & Facilitadora de Parentalidade Consciente|







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