O prolongar do último filho
- Irina Vaz Mestre

- 2 de nov. de 2017
- 2 min de leitura
Estive na dúvida quanto ao título deste texto.
Fiquei indecisa entre “O prolongar do terceiro filho” ou “O prolongar do último filho”. Optei por este. E depois podem dizer-me se fiz bem. Podem dizer-me de acordo com a vossa experiência se decidi corretamente.
“O prolongar do terceiro filho”, porque é sobre a experiência relativamente à minha terceira filha de que vou falar.
“O prolongar do último filho”, porque comecei a pensar que talvez isto que vou partilhar convosco seja transversal a quem tem um único filho, ou dois, ou três, ou quatro. Comecei a pensar que muito provavelmente tudo isto está relacionado com o facto de sabermos que é do último filho que se trata.
Avancemos.
Com o último filho prolonga-se tudo. Com a minha última terceira filha dou por mim a prolongar tudo.
Dou por mim a prolongar o colo. Já adormeceu há tanto, mas tanto tempo, e finjo que ainda não está totalmente adormecida.
Dou por mim a prolongar a mudança da cama. Já cresceu, já não está bem folgada no berço que se encosta à minha cama, e finjo que ainda tem muito espaço e que cabe perfeitamente naquela que foi a cama que a acolheu em recém-nascida.
Dou por mim a prolongar a mudança de quarto. Já dorme a noite inteira, não acorda uma única vez, sinto que até desperta com os meus barulhos de cada vez que entro no quarto ou me vou deitar, e finjo que isto é uma fase e que mais semana menos semana ela vai acordar de noite e precisar muito do meu aconchego.
Dou por mim a prolongar o guardar das roupas. Já tem imensas coisas que não lhe servem, outras que lhe estão muito justas, e finjo que esses bodies e fofos ainda lhe estão mais ou menos bons e que podem ser precisos para qualquer eventualidade.
Dou por mim a prolongar o número dois das fraldas. Já vão ficando justas, já podiam ser um bocadinho bem maiores, e finjo que é um disparate pensar em comprar fraldas maiores porque lhe vão ficar enormes (confesso que da última vez já comprei um número maior).
Dou por mim a prolongar a introdução de sopas e papas. Já lá vai um mês desde que a pediatra aconselhou introduzir os alimentos e finjo que ela ainda tem três meses e que ainda tem tempo para isso (na verdade, aqui estou a ser exagerada. Com a baby Cocas optei pelo BLW e vou manter esta minha decisão. No entanto, tenho sido inundada por opiniões de que a bebé tem fome e já precisa de mais coisas para além do leite, porque já não é tão pequena assim).
Dou por mim a prolongar os banhos, as cócegas, os beijos, os amassos e aquelas saídas (com o meu marido ou amigas) que me obrigam a estar sem ela.
E finalmente, dou por mim a prolongar a ideia de que esta baby não será a minha última baby e, por causa disso, dei por mim a preferir referir-me a esta bebé como a minha terceira filha e não a minha última filha.
E por aí? Também prolongaram coisas com o vosso último filho? Contem-me tudo e digam-me se, na vossa opinião, isto tem a ver com o facto de ser o último ou o terceiro filho.
For Love, With Love ❤️
IrinaVazMestre
|Psicóloga|
irina.vaz.mestre@gmail.com









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