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Olhar de mãe

Nestas linhas vou escrever como te vejo. Como te tenho sentido ao longo destes 2 meses. Como tem sido ter-te, cuidar-te, amar-te.

E estas linhas podiam acabar já aqui. Porque na verdade, tem sido fácil. E tem sido tão bom. E só isto chegava. E só isto dizia tudo. E podia pôr, agora mesmo, um ponto final parágrafo.

Mas não vou fazê-lo. Porque tal como não consigo parar de olhar para ti enquanto estás a dormir ou não consigo desviar o olhar quando te ris, não vou conseguir falar de ti apenas em duas linhas.

Ter um bebé é uma benção.  Aconchegar um bebé, dar-lhe de mamar, sentir o seu cheiro, ver o seu primeiro sorriso (de muitos), ouvir o seu palrar, olhar para todos os pormenores do seu corpo e rosto, é uma sensação muito difícil de explicar por palavras.

Só que não é sempre assim. E é por não ser sempre assim que hoje não consigo falar sobre ti apenas em duas linhas. Porque na verdade contigo estou a conseguir sentir tudo aquilo que sonhamos num bebé. Contigo estou a viver cada momento. Sinto cada respirar. Sinto cada suspiro. Sinto cada mão no meu peito.

E quero agradecer ao Universo por estar a sentir tudo isto. E agradeço ao Universo por ter sido mãe uma vez, duas vezes e três vezes. E agradeço ao Universo todas as experiências que tive ao longo da minha maternidade. Agradeço terem sido diferentes. E é por agradecer mesmo, profundamente, que hoje sinto uma felicidade quase que transcendental quando vejo que estás na nossa vida.

Da primeira vez que fui mãe foi magnífico. Foi a primeira vez que fui mãe, com tudo o que isso acarreta. Amor incondicional, dedicação exclusiva, paixão assolapada. Mas também com as inseguranças, os receios e as dúvidas, que não nos deixam ser como somos, que não nos deixam dar ouvidos à nossa essência e que nos levam a aceitar qualquer palavra dita ou lida.

Da segunda vez que fui mãe foi entusiasmante. Foi querer saber como era amar um segundo filho. Foi querer saber como era ter um segundo, com a experiência do primeiro. Foi querer muito ter outro bebé nos braços. Matar saudades do cheiro. Da alegria que foi o primeiro. Foi achar que tudo seria mais fácil.

Mas não foi. O meu segundo bebé foi tão diferente do primeiro. Chorou muito. Levou-me à exaustão. Pregou-me alguns sustos que me levaram a correr para o hospital, de lágrimas nos olhos e coração a pular pela boca, rezando a todos os anjos para que, com as suas asas macias, o abraçassem.

De tão cansativo que foi, sinto que não vivi este segundo bebé. Sinto que não o abracei com a força suficiente. E depois olho para o meu primeiro bebé e desejo que tivesse sido diferente. Desejo menos exigência. Desejo mais intuição.

Da terceira vez que fui mãe, decidi entregar-me. Entreguei-me ao meu coração. Entreguei-me à minha intuição. Entreguei-me à segurança de ser mãe pela terceira vez e aproveitei isso para me defender de julgamentos alheios.

E sinto que estou a ir pelo caminho certo. Pelo que é certo para mim. Certo para esta bebé. Certo para a minha família.

E dou comigo muitas vezes a pensar se os erros que julgo ter cometido, outrora, tiveram a ver com a idade. E desejava começar agora, só agora, a ter filhos.

Mas depois apercebo-me que mesmo que isso acontecesse, nada iria mudar, porque foi ter sido mãe pela primeira vez e depois pela segunda vez que me levou à mãe que sou agora, pela terceira vez.

E tu, meu bebé, acho que estás a aproveitar esta minha experiência, este novo sentir, este novo pensar. E o resultado disso reflete-se na tua tranquilidade. Porque és uma bebé fácil. E eu não complico.

Se choras, não te deixo chorar. Se mesmo assim continuas a chorar, limpo-te as lágrimas que caem. Se tens fome, dou-te o aconchego do alimento. Se preciso de sair, vens comigo. Se não me consegues ver, aproximo-me de ti. Se precisas de sentir a minha mão no teu peito, enquanto dormes à noite, estico o meu braço para ti. Se queres falar comigo, oiço-te. Se me queres ouvir, falo contigo. Se precisas do sossego da tua cama, é isso que te dou. Se preferes o calor do colo, aqueço-te nos meus braços.

E agradeço por ser assim. Agradeço por saber ouvir-te, sentir-te e viver-te.

E tenho sido feliz ao longo destes 2 meses. Tenho sido imensamente feliz. E agradeço-te por isso ❤️

For Love, With Love

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IrinaVazMestre |Psicóloga & Facilitadora de Parentalidade Consciente|

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