Por aqui andamos
- Irina Vaz Mestre

- 15 de abr. de 2017
- 2 min de leitura
Por aqui andamos, à espera.
Cheguei aquela fase em que já começo a imaginar o momento do parto e a desenhar na minha cabeça esta baby que aí vem. Já começo a dar-lhe feições, a imaginar-lhe um rosto, os jeitos do cabelo, o feitio da boca, a cor dos olhos.
E enquanto estou neste processo imaginário, é curioso aperceber-me dos inúmeros pensamentos que me surgem.
Os primeiros pensamentos que logo surgem são os de encantamento e de alegria pura. Uma excitação difícil de explicar, porque tem a parte da adrenalina misturada com uma tranquilidade que põe tudo em banho maria e aconchega sentimentos tão antagónicos no ninho do meu coração.
E logo depois, como se de uma inveja se tratasse, aparecem imediatamente os pensamentos que nos querem fazer acreditar que felicidade plena não existe e, sem dó nem piedade, atacam a serenidade e transformam-na em ansiedade.
O medo aparece e, com ele, os piores cenários.
Mesmo com todas as confirmações médicas de que está tudo bem; com amniocenteses feitas; com eletrocardiogramas e ecografias que indicam que tudo está dentro da normalidade; o medo e os pensamentos seus primos conseguem fazer-me balançar.
É tão curioso como os pensamentos nos fazem acreditar, quando nos sussurram, de que é impossível estarmos felizes ou estarmos bem connosco e com a vida que temos e escolhemos.
É verdadeiramente impressionante como estes pensamentos de medo sabem entrar pelas entranhas e pelas frechas esquecidas.
Mas hoje, e com toda a clareza que tenho vindo a conquistar, já consigo olhar para todos estes pensamentos somente como pensamentos.
Já sei e consigo distanciá-los de mim. Olho para estes pensamentos como nuvens, ou barcos, que passam por mim e seguem o seu caminho.
Deixo-os vir e permito que vão. E nos entretantos, observo-os. E acho curioso o que tentam conseguir. E eu escolho aceitar na minha vida aqueles que me fazem falta. Os outros, escolho deixá-los ir.
E assim uns vão. Outros ficam. E assim me continuo a sentir serena, no meio de uns breves segundos em que sinto o medo com todas as suas forças.
E por aí, como conseguem libertar-se dos vossos medos?



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Psicóloga | irina.vaz.mestre@gmail.com



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