Voltar para a barriga da mãe
- Irina Vaz Mestre

- 2 de out. de 2017
- 1 min de leitura
Hoje tive vontade que voltasses para a minha barriga. Não foi bem que voltasses para a minha barriga. Foi antes que te pudesse por na minha barriga. E que depois te pudesse tirar, quando chegasse a casa. E que amanhã, pela manhã, te voltasse a por outra vez na minha barriga. E depois voltava a tirar. Quando quisesse. Quando precisasse.
Tive esse desejo quando estava a voltar para casa, depois de um dia de trabalho. Estava com saudades. Passei o dia com saudades. Mas mais do que isso, mais do que as saudades, porque essas são minhas e eu sou adulta e sou capaz de gerir a coisa, foi pensar nas tuas saudades.
Nas saudades que possivelmente tu podes ter de mim. Nas saudades que possivelmente tens do meu cheiro. Nas saudades que possivelmente tens do meu sorriso. Nas saudades que possivelmente tens do meu aconchego, para poderes dormir, sabendo que eu estou lá quando acordares.
E foi isso que me matou. Foi isso que me deitou abaixo. Foi essa sensação de não te poder proteger dessas saudades que me consumiu por dentro e que me deixou seca por fora.
E foi aí que me lembrei. Ao menos se te pudesse por na minha barriga, enquanto vou trabalhar, estavas o dia todo colada a mim, a sentir o meu cheiro, a ouvir a minha voz, a deixares-te embalar pelos meus passos, a adormeceres nas minhas entranhas.
E tu estavas bem. E eu bem estava. Porque continuava a ser mãe, mulher e profissional. E ainda assim podia cuidar de ti. Podia tranquilizar-te. E tu podias continuar a crescer segura de ti, porque me tinhas a mim.
For Love, With Love ❤️






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